Você sabia que a solicitação do exame laboratorial 25OH Vit. D, referenciado como dosagem de vitamina D no sangue, apesar de ter indicação questionável na maioria das vezes que é solicitado (vide recomendações Choosing Wisely Brasil), chega a estar entre os 5 exames mais custosos para a operadora de saúde?

Para esclarecer essa e outras dúvidas, nosso blog traz artigos sobre “insights” com avaliações médicas dos principais ofensores de custo e qualidade de assistência à saúde.

 

 

Choosing Wisely é uma iniciativa extraordinária da ABIM (Conselho Americano de Medicina Interna) que nasceu em 2012, nos Estados Unidos, com o objetivo de diminuir a solicitação de exames, tratamentos e procedimentos de saúde desnecessários através da discussão sobre os gastos crescentes em saúde pelas próprias sociedades de especialidades. O movimento teve um expressivo crescimento nos últimos anos, com significativa repercussão em diversos países. No Brasil, o movimento vem ganhando força com apoio e parceria do PROQUALIS – um programa brasileiro ligado ao Ministério da Saúde que visa disseminar informações e tecnologias em qualidade e segurança do paciente.

O termo “Choosing Wisely” poderia ser traduzido como “escolhendo sabiamente” e é utilizado sob a premissa de que a falta de sabedoria gera uma quantidade expressiva de utilização exagerada ou inapropriada dos recursos na área da saúde.

As recomendações do Choosing Wisely vêm das próprias sociedades de especialidades médicas. Historicamente, essas sociedades publicam diretrizes das melhores práticas que devem ser feitas, mas agora passam a discutir e refletir também no que não deve ser feito. A lista das recomendações de cada especialidade é realizada em diversos países como Canadá, Estados Unidos, Inglaterra, Itália, Japão, inclusive com formas variadas de comunicação, que podem incluir aplicativos mobile, comunicações em sites e congressos de especialistas.

VITAMINA D

A solicitação da dosagem sérica de 25OH Vit. D, um precursor da Vitamina D, é um exame complementar rotineiramente solicitado nas consultas médicas, fazendo parte da lista de exames de rotinas a serem solicitados por um número crescente de médicos. Segundo uma pesquisa americana  entre os pacientes do Medicare, a solicitação deste exame aumentou 83 vezes no período de 2000 a 2010. A preocupação com a Vitamina D é muito válida, já que ela é fundamental para a manutenção da saúde do nosso sistema ósseo, além de poder estar associada a prevenção de mortes por câncer e por doença cardiovascular. Todavia, o que muitos ainda não sabem, é que a simples solicitação deste exame como rotina para pacientes sem fatores de risco para a deficiência grave de Vitamina D, não traz benefício para esses pacientes. Pelo contrário, está associada a maiores custos e riscos pelo consequente aumento na prescrição de suplementação de vitamina D o que pode até acarretar injúria renal pela sobrecarga.

Segundo um relatório feito pelo Institute of Medicine (IOM), a pedido dos governos americanos e canadense, há evidência científica suficiente que demonstra o benefício da vitamina D para a saúde óssea, mas não há evidências suficientes sobre o benefício sobre outras condições de saúde. Além disto, os valores de referência utilizados pelos laboratórios não seguem critérios científicos bem estabelecidos, portanto, os níveis de deficiência leve podem ser inadequados. O relatório sugere ainda que os níveis de corte utilizados atualmente na América do Norte pelos laboratórios para classificar um indivíduo como suficiente estaria levando a uma verdadeira epidemia de deficiência de vitamina D na população.

Segundo o IOM, níveis a partir de 20ng/mL (considerado bem abaixo do normal por muito laboratórios de análises clínicas) são suficientes para o organismo manter a saúde dos óssos.

Um número expressivo de pacientes possui níveis levemente baixos de vitamina D, devido a hábitos de vida inadequados. Medidas simples como alimentação equilibrada, atividade física regular e exposição solar controlada já são capazes de adequar os níveis de vitamina D necessários.

Em uma outra publicação, o Dr. JoAnn Manson, professor de medicina da faculdade de medicina de Harvard, questiona esta “epidemia de deficiência de Vitamina D” e defende que haveria apenas 3 indicações para a realização deste exame: os pacientes com fatores de risco para osteoporose, os portadores de doença que provoque dificuldade de absorver lipídeos e os que utilizam corticóides ou algum outro medicamento que pode interferir na absorção da vitamina D.

Por todos esses motivos, a recomendação de não fazer o exame de vitamina D rotineiramente para pacientes de baixo risco compõe a lista Choosing Wisely de diversos países. Por aqui não é diferente, e faz parte da lista de recomendações clínicas da Sociedade Brasileira de Medicina da Família e Comunidade na Choosing Wisely Brasil.

Vale lembrar que as recomendações citadas foram feitas em países subtropicais, com uma incidência solar muito menor que no Brasil que é tropical.

Esse é apenas um dos exemplos de potencial economia no sistema de saúde e, como já mencionamos em outro artigo, é uma forte tendência neste mercado. A economia pode ser viabilizada com a utilização de um sistema de análise que destaque o risco da carteira para a Operadora de Saúde.

 

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